quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Ô conversinha boa!

Meu pai está se balançando na rede após o jantar, descansando enquanto o Jornal Nacional não começa quando eu me aproximo e começo a falar sobre o livro que estou lendo. Orgulho e Preconceito da Jane Austen. Ele não conhecia, eu demonstrei minha surpresa por esse fato já que é um clássico da literatura. Ele reafirmou que não conhecia e eu fui pegar o livro para mostrá-lo. Eu comecei a dizer que estava gostando do livro, apesar de não gostar de livros dessa época da história. Ele perguntou o porquê. Eu respondi que tento deixar de lado os preconceitos e os julgamentos, tento colocar na cabeça que era uma sociedade diferente, com valores diferentes, mas que sempre acabo julgando de alguma forma. Ele me disse que adorava romances de época, principalmente os de José de Alencar. Que como ele não era rico, gostava de ler coisas de rico e que se imaginava nos salões enormes, com roupas chiques e falando tão bem quanto os homens que ele lia sobre. Depois ele pegou os livros de Machado de Assis pra ler e sentiu uma enorme diferença, com histórias mais doidas e irônicas. Eu disse que adorava Machado de Assis e que tenho preconceito de José de Alencar por causa de Iracema, depois desse livro não li mais nada dele, mesmo depois de algumas amigas terem lido Senhora e dito que era bom. Depois ele disse que adorava ler quando era jovem, que lera a maioria dos livros de Jorge Amado, que eram livros com forte essência brasileira. Que frequentava a biblioteca do centro da cidade e que já lera inclusive "Dotosvki". O consertei, Dostoiévski, e ri muito admirada com esse fato. Nunca li Dostoiévski e nem imaginava que ele havia lido. Ele disse que pegava  os livros de autores que ouvia as pessoas falarem, ele era bem curioso e adorava colocar um lençol no chão do oitão da casa dele para ler. Quando tinha que voltar a realidade depois de ficar fascinado pelas histórias, achava chato. Me disse que era bom que eu tivesse dado pra leitura e que se sentia orgulhoso quando ia me pegar na escola e eu estava lendo na biblioteca, enquanto os outros meninos brincavam de correr.

Preciso dizer que estou até agora admirada com essas descobertas? E eu achando que só tinha puxado à minha mãe nesse quesito...

6 comentários:

  1. Que coisa mais fofa o seu pai! O meu não é chegado em leituras e, se eu fosse falar de algum livro que eu to lendo com ele, acho que as respostas não passariam de "hmmmm" e "aaah" HAHAHAHA
    Beijo, Deby!

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  2. que bacana :)
    meus pais leem muito, e eu lia também quando era menor. hoje em dia não tenha tanta vontade.

    mas leia senhora!
    mesmo com o preconceito com o josé de alencar, rs. eu gostei bastante! ^^

    beijo, deby!

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  3. Gostei muito desse texto, principalmente por se tratar de algo que já esta quase em extinção nesse mundo vil, a leitura e o dialogo entre pai e filho.

    Abraços, estou seguindo aqui

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  4. Meu pai é totalmente diferente do seu, o meu dificilmente lê, ou já leu.

    Putz, comecei a ler iracema e parei, histórinha doida hahah
    Tem o Érico Veríssimo, ele é bem delicado com as palavras.

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  5. que massa ter essas descobertas, eu não tenho contato com meu pai, é só oi,oi, xau, xau e olhe lá :$ mas sei que ele gostar de ler bastante tbm.

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  6. Quando sentamos com os nossos coroas, descobrimos inúmeras riquezas escondidas no fundo do baú...rs. Admirável...
    Att.,
    Luks

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